Mea Auten Brasiliae Magnitudo

21.10.07

Uma mensagem da França

Apenas uma mensagem para atualizar o blog, me foi enviada por uma velha amiga.
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Un sourire de toi apporte de la joie à quelqu'un même s'il ne t'aime pas.
Toutes les nuits, quelqu'un pense à toi avant d'aller se coucher.
Tu représentes le monde pour quelqu'un.
Si ce n'était pas pour toi, quelqu'un ne pourrait pas vivre.
Tu es Spécial et Unique et quelqu'un dont tu ignores l'existence t'aime.
Quand tu fais la plus grosse bêtise,quelque chose de bien provient de celle-ci.
Quand tu penses que le monde te tourne le dos, regarde bien:
C'est surtout toi qui tourne le dos au monde!!!!
Quand tu penses que tu n'as pas de chance
Quand tu n'as pas ce que tu veux, tu ne l'auras probablement pas.
Si tu crois en toi, probablement, tôt ou tard, tu l'auras.
Souviens-toi toujours des compliments que tu reçois.
Oublie les remarques méchantes.
Dis toujours aux gens ce que tu ressens à propos d'eux, tu te sentiras mieux quand ils le sauront.
Personne ne mérite tes larmes et tes pleurs, et celui qui le mérite vraiment ne te fera jamais pleurer.
Si tu as un meilleur ami, prends le temps de lui dire ce qu'il représente pour toi.
On dit que cela prend une minute pour remarquer une personne spéciale, une heure pour l'apprécier, un jour pour l'aimer, mais qu'on a ensuite besoin de toute une vie pour oublier.
Arrête-toi un peu et prends le temps de vivre.
Alors qu'est ce que tu attends?
Et sois certain(e) que moi, je ne t'oublierai jamais non plus car je t'aime par amitié.
Ne quitte jamais celui que tu aimes pour celui qui te plais car celui qui te plais te quittera pour celui qu'il aime.
Il y a au moins 5 personnes dans ce monde qui t'aiment au point de mourir pour toi.
Il y a au moins 15 personnes qui t'aiment d'une certaine manière.
La seule raison pour laquelle une personne te déteste, c'est parce qu'elle veut être comme toi.
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Em uma livre tradução:
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Um sorriso teu pode trazer alegria a qualquer um, mesmo que esta pessoa não te ame.
Todas as noites alguém pensa em ti antes de se deitar.
Tu representas o mundo para alguém.
Há alguém que não poderia viver se não fosse por ti.
Tu és Único e Especial e alguém cuja existência ignoras te ama.
Quando fazes a maior besteira de todas, alguma coisa de bom advém disto.
Quando pensas que o mundo lhe deu as costas lembre-se bem:
Definitivamente és tu quem deu as costas ao mundo!!!
Quando pensas que não tem chance
Quando pensas que não consegues o que quer, provavelmente não terá mesmo.
Se confias em ti mesmo, provavelmente cedo ou tarde terás.
Lembra-te sempre dos elogios que recebes.
E esqueça os episódios desagradáveis.
Diga sempre às pessoas o que sentes à respeito delas, tu te sentirás melhor quando elas souberem disso.

Ninguém merece tuas lágrimas e prantos, e alguém que as mereça jamais te fará chorar.
Se tens um melhor amigo, tome um tempo para dizer-lhe o quanto ele representa para ti.
Dizem que é necessário um minuto para conhecer uma pessoa especial, uma hora para apreciá-la e um dia para amá-la, entretanto, precisaríamos de uma vida inteira para esquecê-la.
Pare um pouco e arrume um tempo para viver.
Então, o que estás esperando?

E esteja certo que eu jamais te esquecerei, porque te amo pela tua amizade.
Jamais deixe a quem amas por quem lhe agrada, porque quem lhe agrada te deixará por aquela a quem ama.

Há pelo menos 5 pessoas no mundo que te amam ao ponto de morrer por ti.
Há pelo menos 15 pessoas que te amam de alguma forma.
A única razão pela qual uma pessoa te odeie é porque ela quer ser exatamente como tu.

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12.9.07

Brasileiro sim...Com MUITA VERGONHA!!!!


Tenho certeza que o Arnaldo Jabor fará uma crítica muito mais contundente e de melhor conteúdo do que eu neste humilde espaço... Esta semana assisti ao seriado "Two and a Half Man", e o assunto tem tudo a ver. No episódio, Alan, um dos protagonistas, entra em depressão por ter se casado - pela segunda vez -, se endividado, e, por fim, chutado pela mulher. Ele fica trancado no quarto, até que sua mãe chegue para consolá-lo. E qual o argumento utilizado por ela para reanimar o filho? Vai a citação: "Olhe pelo lado bom... Você já chegou ao fundo do poço. Não há como cair ainda mais. A partir de agora, o que resta é subir" .
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Esta frase me vem à mente porque depois de saber que Renan Calheiros foi absolvido por seus colegas e que 6 senadores se abstiveram de votar... enfim, depois que toda a raiva se acomoda (mas não se esvai), ficam as reflexões... e a pergunta que me assalta é esta mesma: será que ao menos agora chegamos ao fundo do poço???
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Quando relembro todos os escândalos do governo Lula e sua corja; a popularidade estratosférica cimentada por atos populistas; a pesquisa da Veja, que comprova que os brasileiros aprovam o roubo do erário e várias outras atitudes antiéticas; o quanto eu trabalho para sustentar os malditos parlamentares e todo o Estado paquidérmico...o que resta? Continuar a praguejar contra o governo??
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Talvez hoje tenha sido um dia histórico...o dia em que o Senado abriu a brecha para uma revolução, que talvez só aconteça daqui a 40, 50 anos, quando o povo estiver pagando para respirar e trabalhando 9 meses do ano apenas para sustentar a máquina. Historiadores talvez voltem até o dia 12 de setembro de 2007, imputando a data como o marco inicial da revolta popular que destruiu o Congresso, instaurou o caos e decapitou centenas de políticos. Se conseguirmos instaurar novamente a ordem, quem sabe possamos comemorar a "Queda de Brasília" como o dia em que enfim nos tornamos livres, assim como os franceses celebram a queda da Bastilha. Tantas coincidências encerram uma lição preciosa da História. A justiça tarda - e retarda, no caso do Brasil - mas não falha.
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Estou retirando qualquer referência escrita em blog, orkut e outros que me façam lembrar que sou brasileiro. É pouco, um protesto solitário, mas enfim...
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Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára
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Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
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A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára
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(Cazuza, "O Tempo Não Pára")
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Vamos festejar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar o nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatus
Perséphone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
E os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
E o voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
Todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo e nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
$Todo o roubo e toda a indiferença [...]
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
(A lágrima é verdadeira) [...]
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora [...]
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Nas favelas, no senado
Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse? [...]

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(Renato Russo "Perfeição" e "Que País É Este?")

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Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve
Você pode e você deve, pode crer
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu
Num quer dizer que você tenha que sofrer
Até quando você vai ficar usando rédea
Rindo da própria tragédia?
Até quando você vai ficar usando rédea
Pobre, rico ou classe média?
Até quando você vai levar cascudo mudo?
Muda, muda essa postura
Até quando você vai ficando mudo?
Muda que o medo é um modo de fazer censura [...]
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Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro

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(Gabriel Pensador "Até Quando?")

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Estão nas mangas dos Senhores Ministros
Nas capas dos Senhores Magistrados
Nas golas dos Senhores Deputados
Nos fundilhos dos Senhores Vereadores
Nas perucas dos Senhores Senadores
Senhores!Senhores!Senhores!
Minha Senhora!Senhores!Senhores!
Filha da Puta!
Bandido!
Corrupto!
Ladrão!
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Sorrindo para a câmera
Sem saber que estamos vendo
Chorando que dá pena
Quando sabem que estão em cena
Sorrindo para as câmeras
Sem saber que são filmados
Um dia o sol ainda vai nascer quadrado
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(Titãs "Vossa Excelência")
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Apocalipticamente, como num clipe de ação,
Um clic seco um revólver, aponta em meu coração
O caso Sudam, Maluf, Lalau, Barbalho, Sarney, e quem paga o jornal?
É a propaganda, pois nesse país é o dinheiro que manda
E juram que não corrompem ninguém,
Agem assim, pro seu próprio bem,
São tão legais,
Foras da lei,
E pensam que sabem de tudo,
O que eu não sei, eu sei
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(RPM "Alvorada Voraz")

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8.9.07

Coisas que tenho aprendido...


  • Arrogância é sinônimo de falta de maturidade...e maturidade não é necessariamente sinônimo de idade ou experiências, e sim de humildade. Humildade se aprende com o tempo, quando na verdade deveria ser o inverso...

  • Certos problemas não podem ser divididos com ninguém.

  • Amigos verdadeiros se conhecem assim: sempre querem saber por onde você anda, e o que tem feito. Se você não responde, eles podem até desistir de procurá-lo, mas não necessariamente deixam de pensar em você.

  • Sempre dizem para não nos arrependermos do que fizemos, e sim do que deixamos de fazer...Falar é fácil. Na minha ótica, deixar de fazer algo é apenas uma das escolhas que surgem à nossa frente. Se eu tivesse deixado de tomar certas decisões, certamente teria menos arrependimentos hoje. Também poderiam dizer que eu nunca saberia, se assim não o tivesse procedido. Pois bem...talvez eu nunca quisesse saber mesmo.

  • Não existe amor à primeira vista, e sim, paixão à primeira vista, e nem sempre a última leva à primeira.

  • Estamos no ápice do desenvolvimento intelectual e na plenitude da decadência moral.

  • Entendi finalmente o significado da expressão "palavras valem prata, silêncio vale ouro".

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2.9.07

Verdade...


[...]

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- Verdade pura! Nada mais difícil do que uma verdade, Emília.

- Bem sei - disse a boneca. Bem sei que tudo na vida não passa de mentiras, e sei também que é nas memórias que os homens mentem mais. Quem escreve memórias arruma as coisas de jeito que o leitor fique fazendo alta idéia do escrevedor. Mas para isso ele não pode dizer a verdade, porque senão o leitor fica vendo que era um homem igual aos outros. Logo, tem de mentir com muita manha, para dar a idéia de que está falando a verdade pura.-
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Dona Benta espantou-se de que uma simples bonequinha de pano andasse com idéias tão filosóficas.
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- Acho graça nisso de você falar em verdade e mentira como se realmente soubesse o que é uma coisa e outra. Até Jeusus Cristo não teve ânimo de dizer o que era a verdade. Quando Pôncio Pilatos lhe perguntou: "Que é verdade?" ele, que era Cristo, achou melhor calar-se. Não deu resposta.

- Pois eu sei! - gritou Emília. Verdade é uma espécie de mentira bem pregada, das que ninguém desconfia. Só isso.
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Dona Benta calou-se, a refletir naquela definição, e Emília, no maior assanhamento, correu em busca do Visconde de Sabugosa. Como não gostaria de escrever com a sua mãozinha, queria escrever com a mão do Visconde.-

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Monteiro Lobato, "Memórias da Emília" p. 4-5

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A pedidos

O pessoal tem cobrado porque eu não tenho mais atualizado o blog... realmente tem sobrado pouco tempo por causa da minha pós. Estou adiantando matérias, e isso toma quase todo o meu tempo livre durante a semana e até uma parte do final de semana. Vou tentar compensar, colocando tópicos mais curtos, o problema é que gosto de tomar um assunto e destrinchá-lo no limite que o meu tempo permite. Se as pessoas que me cobraram para continuar escrevendo não têm tempo de fazer comentários, imagine eu para atualizar o espaço...De qualquer forma, obrigado pelo incentivo e por me deixarem saber que alguém lê esse troço.

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22.7.07

A Última Fronteira

Com a globalização, a última fronteira é realmente o espaço? Quantos de nós não gostaríamos de nos refugiar em um lugar onde as agruras e misérias do mundo não alcançassem nosso conhecimento? Se antigamente, sem Internet mal sabíamos o que se passava direito no país, imagine agora em que os países estão conectados, praticamente sem fronteiras? Todo dia, ouvimos falar de um planeta doente, com guerras, crimes, práticas abusivas, catástrofes ambientais...a nossa carga negativa do dia-a-dia triplicou desde a revolução da comunicação instantânea. Fronteiras físicas foram rompidas, definitivamente...e a fronteira mental? Será por isso que a depressão virou um dos maiores males do século?
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Viagem Sem Destino (Interstate 60) é um dos melhores filmes que o mundo jamais conheceu...É uma fábula moderna sobre escolher um caminho na vida, e as conseqüências de suas escolhas, especialmente quando se é jovem. Um dos diálogos mais interessantes do filme eu transcrevo abaixo, entre o protagonista Neal Oliver (James Marsden) e Sr. Cody (Chris Cooper), um caroneiro que o contrata na estrada para ser uma espécie de motorista particular. Eles falam sobre a teoria da fronteira.
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Mr. Cody: Conhece Frederick Turner sr. Oliver?
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Neal: Não, senhor.
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Mr. Cody: Era um historiador. Há cerca de cem anos, apareceu com uma teoria sobre a fronteira. Ele disse que a fronteira era a válvula de escape da civilização. Um lugar onde pessoas iam, para não enlouquecerem. Quando algumas pessoas sentiam que não iriam resistir às pressões da sociedade, loucos, descontentes, radicais, todos eles partiam em direção à fronteira. Foi assim que a América nasceu. Os doidos e agitadores da Europa fizeram as malas, partiram para a fronteira e fundaram as 13 colônias. Quando se sentiram deslocados, mudaram-se para o Oeste. Foi por isso que os malucos todos foram parar na Califórnia [risos].
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Mr. Cody: Turner morreu em 1932, por isso não viu o que aconteceu ao mundo quando a fronteira acabou...Algumas pessoas afirmam que temos uma fronteira mental, e por isso decidem explorar o maravilhoso mundo do álcool e das drogas...mas isso não é uma fronteira. É apenas uma maneira de nos iludirmos... Concebemos uma fronteira fictícia através dos computadores, que criam uma ilusão de fuga...Uma fronteira com acesso pago?! Hnf.
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Neal: E o espaço? A última fronteira?
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Mr. Cody: “Jornada Nas Estrelas” não é o espaço, é televisão. Bela merda de fronteira...Além disso, quantas pessoas podem fazer as malas e ir para o espaço? [breve silêncio] Não, a fronteira é aqui mesmo. Na Interstate 60...É por isso que estou aqui. Para que as pessoas que queiram algo diferente tenham para onde ir.
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Neal: Isso é verdade, sr. Cody?
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Mr. Cody: Se não é – ele sorri – deveria ser!

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11.4.07

Calvin & Haroldo, um clássico


Hoje saiu em A Notícia que haverá um relançamento das tiras de Calvin & Haroldo, um dos maiores clássicos dos quadrinhos (ou HQs, para os descolados). Tenho uma penca de coletâneas dessa dupla aqui em casa, e recomendo! Na verdade, sempre fui um aficcionado por HQs. Meu gosto por leitura apareceu com os gibis da Turma da Mônica e os da Disney, quando eu tinha uns 7, 8 anos. Dali para a coleção do Sítio do Picapau Amarelo, do Monteiro Lobato, foi um pulo.
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Gostava tanto, que passava horas no quarto trancado, sol de rachar lá fora e eu enfurnado, criando personagens próprios, ou muitas vezes simplesmente tentando copiar os meus heróis favoritos. Eu realmente pensava em ser desenhista quando crescesse, talvez chargista. Acabei perdendo um pouco da paciência, virtude essencial no ofício, por causa do nível de exigência para que o trabalho final corresponda às expectativas, não apenas do público, como do próprio autor, geralmente um perfeccionista incurável.
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Poucos levam as HQs como uma arte "séria", especialmente no Brasil. Pessoas lêem gibis para o público infantil e pensam que tudo se resume àquelas histórias propositadamente simples - ainda que sejam ótimas histórias infantis. Esquecem-se, ou não sabem que há muitos quadrinhos adultos tão bons - ou até melhores - quanto qualquer best-seller. Na maioria das livrarias brasileiras, os quadrinhos ficam escanteados e restritos a poucas estantes, e isto não acontece em países como a França, por exemplo. Em todas as livrarias pelas quais passeei por lá, sempre havia uma seção inteira de álbuns e livros em quadrinhos. Eram tantos títulos que eu me surpreendi que houvesse mercado para tantos artistas, a maioria deles, voltada para o público adulto. E não eram seções jogadas às moscas, sempre havia alguém ali, folheando as obras e admirando os traços caprichados dos artistas.
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Quadrinhos são um meio artístico maravilhoso, capaz de transformar uma boa história em um clássico inesquecível. Bill Watterson, criador de Calvin & Haroldo, declarou uma vez que "um grande texto salva uma arte chata melhor do que grandes desenhos salvam idéias chatas", ainda que quadrinhos sejam um meio visual. Eu concordo com ele. O ideal é sempre combinar o melhor dos dois (ótimo roteiro + ótima arte). Algumas das melhores obras de Asterix são assim. No entanto, algumas das melhores estórias que me vêm à cabeça não foram feitas por um "Michelangelo". Frank Miller ("Sin City","O Cavaleiro das Trevas") é um excelente exemplo disso.
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Calvin & Haroldo, no entanto, sublima. A tira é inovadora em muitos aspectos, visualmente falando. Watterson tinha verdadeiro tesão por arte, e testava todas as possibilidades criativas dentro do espaço reduzido, e cada vez mais limitado de uma tira diária publicada em jornais. Ele botava Calvin em situações onde ele podia alterar a perspectiva tridimensional, criava situações às quais desenhava como um cubista, mudava a perspectiva da luz ao inverso; resumindo, é um gênio. Mas realmente a sua criatividade para bolar os argumentos das histórias de Calvin é que é assombrosamente maravilhosa.
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Calvin não é pra crianças. É para adultos que um dia foram metade crianças do que é Calvin. Ele apronta todas e mais um pouco, e leva os pais, a professora e quem mais estiver por perto, às raias da loucura. É rebelde, detesta estudar e não consegue fazer cálculos elementares de matemática, mas, paradoxalmente, tem um vocabulário culto e vasto demais para um garoto de 6 anos. Ele chega ao ponto de criar gráficos com pesquisas de opinião sobre o desempenho do seu pai como chefe da família, e fala e filosofa com uma desenvoltura tal, que não fossem suas notas na escola, seria difícil de acreditar que não seja superdotado. Os próprios nomes dos personagens, Calvin e Hobbes (em inglês), remetem a dois pensadores clássicos. Talvez por isso os dois gostem tanto de filosofar sobre qualquer assunto que dê na telha. Curiosamente, você acaba aceitando, porque este é apenas um dos paradoxos da tira. Outro, por exemplo, é o seu tigre de pelúcia, Haroldo, que adquire vida apenas quando está sozinho ou com o Calvin. Seria fácil presumir que como produto da imaginação de Calvin, apenas ele o veja como um tigre vivo, mas Watterson às vezes os coloca em situações tão absurdas, que fica difícil de imaginar como Haroldo poderia ter participado ativamente da aventura. Calvin também não tem amigos além de Haroldo, mesmo frequentando reularmente -ainda que obrigado pelos seus pais - uma escola cheia de crianças. Haroldo, por sua vez, é o mais sarcástico e espirituoso da dupla, e as histórias mais hilariantes que me vêm à memória invariavelmente terminam com ele, finalizando com alguma "tirada" genial. Aliás, quadrinhos que realmente façam você gargalhar são raros, por isso, mais um ponto a favor dessa tira. Leia a história em que Calvin pede para Haroldo cortar-lhe o cabelo, ou aquela em que ele vai até o futuro buscar a lição de casa de si mesmo, porque está com preguiça de fazê-la no presente. Tudo isso em sua máquina do tempo de papelão, que muitas vezes vira um "transmodificador" ou "metamorfoseador".
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Apesar da avassaladora popularidade, Bill Watterson nunca licenciou os personagens, mesmo sob pressão do sindycate onde trabalhava. Isto porque acreditava - e ainda acredita - que os personagens perderiam a integridade e a honestidade de suas reflexões e mensagens, caso aparecessem estampados em canecas, cartões de aniversário. Pior ainda se a questão da realidade de Haroldo fosse decidida por um fabricante de bichos de pelúcia. Nosso amigo Bill poderia ter ficado rico, mas não o quis, e isto, por si só, torna esta obra-prima ainda mais relevante. Por fim, eu queria terminar este textículo com uma frase dita pelo nosso maior desenhista de HQs, Maurício de Sousa, a respeito de Calvin & Haroldo. Revirei a Internet atrás dessa frase, tenho quase certeza de que foi publicada n´O Estado de São Paulo, mas não a encontrei. De qualquer maneira, parte da declaração nunca me saiu da cachola: "Maurício: '..o Calvin me deixa triste, porque não fui eu quem o criou'..."

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9.4.07

Fábula dos Dois Leões


Acho que todo estudante que completou o ensino básico conheceu Stanislaw Ponte Preta. Dei uma sapeada em uma coletânea de textos dele, e lembrei que vários foram utilizados nos livros de gramática que o colégio utilizava. Também por acaso, achei um texto muito bom, e infelizmente atual, considerando que o autor o escreveu nos anos 60. Qualquer semelhança não é, definitivamente, mer(d)a coincidência...
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Fábula dos Dois Leões
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Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto)
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Diz que eram dois leões que fugiram do Jardim Zoológico. Na hora da fuga cada um tomou um rumo, para despistar os perseguidores. Um dos leões foi para as matas da Tijuca e outro foi para o centro da cidade. Procuraram os leões de todo jeito mas ninguém encontrou. Tinham sumido, que nem o leite.
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Vai daí, depois de uma semana, para surpresa geral, o leão que voltou foi justamente o que fugira para as matas da Tijuca. Voltou magro, faminto e alquebrado. Foi preciso pedir a um deputado do PTB que arranjasse vaga para ele no Jardim Zoológico outra vez, porque ninguém via vantagem em reintegrar um leão tão carcomido assim. E, como deputado do PTB arranja sempre colocação para quem não interessa colocar, o leão foi reconduzido à sua jaula.
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Passaram-se oito meses e ninguém mais se lembrava do leão que fugira para o centro da cidade quando, lá um dia, o bruto foi recapturado. Voltou para o Jardim Zoológico gordo, sadio, vendendo saúde. Apresentava aquele ar próspero do Augusto Frederico Schmidt que, para certas coisas, também é leão.
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Mal ficaram juntos de novo, o leão que fugira para as florestas da Tijuca disse pro coleguinha: — Puxa, rapaz, como é que você conseguiu ficar na cidade esse tempo todo e ainda voltar com essa saúde? Eu, que fugi para as matas da Tijuca, tive que pedir arrego, porque quase não encontrava o que comer, como é então que você... vá, diz como foi.
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O outro leão então explicou: — Eu meti os peitos e fui me esconder numa repartição pública. Cada dia eu comia um funcionário e ninguém dava por falta dele.
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— E por que voltou pra cá? Tinham acabado os funcionários?
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— Nada disso. O que não acaba no Brasil é funcionário público. É que eu cometi um erro gravíssimo. Comi o diretor, idem um chefe de seção, funcionários diversos, ninguém dava por falta. No dia em que eu comi o cara que servia o cafezinho... me apanharam.
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Texto extraído do livro “Primo Altamirando e Elas”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1961, pág. 153.

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